Como lembra Sheila Moura Hue em texto publicado recentemente no blog da Biblio Nimuendaju, a primeira versão da obra de Anthony Knivet em português, publicada na RIHGB em 1878, é incompleta. Tradução indireta, a partir de uma tradução holandesa, a versão de 1878 omite justamente um dos capítulos mais ricos em informações sobre os índios do Brasil. Os usuários da Biblioteca Digital Curt Nimuendaju podem agora acessar o texto completo, no original inglês.
Novidades na Biblioteca Digital Curt Nimuendajú, uma coletânea digital de artigos e livros raros sobre línguas e culturas indígenas da América do Sul
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Wednesday, May 5, 2010
Thursday, February 25, 2010
Piratas, canibais — e monstros?
Para os moradores dos primeiros núcleos coloniais na costa brasileira, como Santos e Cabo Frio, a pirataria era ameaça constante. Mas a vida de pirata, por outro lado, também não era nada fácil, a julgar pelos relatos de protagonistas como o inglês Anthony Knivet. Disponível agora na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, a obra 'Notavel viagem que, no anno de 1591 e seguintes, fez Antonio Knivet, da Inglaterra ao mar do sul, em companhia de Thomas Candish' pinta uma imagem um tanto anti-hollywoodiana de pirata: faminto, maltrapilho, infestado de piolhos, vivendo da pilhagem da mandioca alheia.
Eventualmente capturado e escravizado pelos portugueses, vivendo, segundo sua descrição, a pauladas e sob constante ameaça de morte, Knivet acompanharia seus amos em viagens de exploração pelo interior do sudeste brasileiro (e, depois, o nordeste), travando contatos com índios de diversas etnias, como os Tamoyo (entre os quais presenciaria rituais canibalísticos) e os Purí. Assim, além de retratar a colonização portuguesa sob uma pespectiva diferente da habitual, seu relato contém informações úteis sobre costumes indígenas e sobre a localização geográfica de diversas tribos, apesar de algumas passagens pouco plausíveis -- como o encontro com um monstro aquático que "tinha no dorso grandes escamas medonhas e não menores garras e uma comprida cauda, (...) [e] uma comprida lingua qual harpão".
O texto foi traduzido por J. H. Duarte Pereira a partir da versão holandesa, e publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico em 1878.
Leia mais:
Hue, Sheila Moura. 2006. Ingleses no Brasil: relatos de viagem (1526-1608). Anais da Biblioteca Nacional, vol. 126, p. 7-68.
Eventualmente capturado e escravizado pelos portugueses, vivendo, segundo sua descrição, a pauladas e sob constante ameaça de morte, Knivet acompanharia seus amos em viagens de exploração pelo interior do sudeste brasileiro (e, depois, o nordeste), travando contatos com índios de diversas etnias, como os Tamoyo (entre os quais presenciaria rituais canibalísticos) e os Purí. Assim, além de retratar a colonização portuguesa sob uma pespectiva diferente da habitual, seu relato contém informações úteis sobre costumes indígenas e sobre a localização geográfica de diversas tribos, apesar de algumas passagens pouco plausíveis -- como o encontro com um monstro aquático que "tinha no dorso grandes escamas medonhas e não menores garras e uma comprida cauda, (...) [e] uma comprida lingua qual harpão".
O texto foi traduzido por J. H. Duarte Pereira a partir da versão holandesa, e publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico em 1878.
Leia mais:
Hue, Sheila Moura. 2006. Ingleses no Brasil: relatos de viagem (1526-1608). Anais da Biblioteca Nacional, vol. 126, p. 7-68.
Wednesday, January 7, 2009
Obras do Pe. Francisco das Chagas Lima
O Padre Francisco das Chagas Lima (1757-1832), primeiro vigário de Aparecida e vigário de Curitiba, sua terra natal, desempenhou papel de destaque na vida eclesiástica da então capitania de São Paulo. Foi, porém, através de seu trabalho na catequização de dois povos indígenas que seu nome se tornou intimamente associado à história de duas povoações em cuja fundação desempenhara papel essencial: Queluz, na divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro, fundada em 1801 como aldeamento Purí, e Guarapuava (no que é, hoje, o estado do Paraná), criada em 1810 como aldeamento Kaingáng.
Como testemunha e protagonista dos primeiros anos da história de ambas as povoações, Chagas Lima produziu importantes documentos, alguns dos quais seriam publicados postumamente na RIHGB: a 'Noticia da fundação e principios d'esta Aldêa de S. João de Queluz' (Lima 1843), escrita originalmente em 1802, contém, além de detalhes históricos sobre a fundação da aldeia, informações sobre os costumes Purí antes da catequização; a 'Memoria sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava' (Lima 1842), concluída provavelmente entre 1827 e 1828, contém, além de uma descrição detalhada do progresso e das vicissitudes do aldeamento, o "primeiro registro publicado sobre a língua Kaingáng", segundo Wilmar D'Angelis (2003).
Especialista em Kaingáng, D'Angelis sugere que Chagas Lima teria sido, também, o provável autor do extenso 'Vocabulario da lingua Bugre', publicado anonimamente em 1852 no mesmo periódico (Anônimo 1852) e que seria, na sua avaliação, "o melhor documento para o conhecimento da língua Kaingang produzido no Brasil no século XIX." Os três artigos, recentemente incluídos na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, podem ser acessados aqui.
Como testemunha e protagonista dos primeiros anos da história de ambas as povoações, Chagas Lima produziu importantes documentos, alguns dos quais seriam publicados postumamente na RIHGB: a 'Noticia da fundação e principios d'esta Aldêa de S. João de Queluz' (Lima 1843), escrita originalmente em 1802, contém, além de detalhes históricos sobre a fundação da aldeia, informações sobre os costumes Purí antes da catequização; a 'Memoria sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava' (Lima 1842), concluída provavelmente entre 1827 e 1828, contém, além de uma descrição detalhada do progresso e das vicissitudes do aldeamento, o "primeiro registro publicado sobre a língua Kaingáng", segundo Wilmar D'Angelis (2003).
Especialista em Kaingáng, D'Angelis sugere que Chagas Lima teria sido, também, o provável autor do extenso 'Vocabulario da lingua Bugre', publicado anonimamente em 1852 no mesmo periódico (Anônimo 1852) e que seria, na sua avaliação, "o melhor documento para o conhecimento da língua Kaingang produzido no Brasil no século XIX." Os três artigos, recentemente incluídos na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, podem ser acessados aqui.
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