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A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju é uma iniciativa do portal Etnolinguistica.Org, que oferece, entre outros recursos, um banco de teses e dissertações e uma revista eletrônica, Cadernos de Etnolingüística (ISSN 1946-7095).

Friday, February 5, 2010

Historia Naturalis Brasiliae (Piso & Marcgrave 1648)

Um marco não apenas para os estudos da flora e da fauna, mas também para a etnografia e a etnolingüística dos povos originais do nordeste brasileiro, a obra Historia Naturalis Brasiliae (Piso & Marcgrave 1648) acaba de ser incluída na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju.

Produzida sob os auspícios do conde João Maurício de Nassau, quando governador das possessões holandesas no nordeste brasileiro, a obra divide-se em duas partes. A primeira, de autoria do médico holandês Guilerme Piso, trata principalmente de doenças tropicais. A segunda, de autoria do naturalista alemão Jorge Marcgrave, trata da fauna e da flora da região (fornecendo seus nomes indígenas), além de descrever costumes indígenas (incluindo um vocabulário Tupinambá).

Como introdução a esta importante obra, os Cadernos de Etnolingüística acabam de publicar o artigo Alguns comentários à Historia Naturalis Brasiliae, da antropóloga Mariana Françozo (que se doutorou no ano passado na Unicamp com uma tese sobre a circulação de objetos e saberes no Atlântico holandês).

A obra foi digitalizada pela biblioteca do Missouri Botanical Garden a partir de original em sua coleção de obras raras. Para a conveniência do leitor, a Biblioteca Digital Curt Nimuendaju adicionou "bookmarks" para cada um dos mais de 300 capítulos. Para uma breve introdução iconográfica à Historia Naturalis Brasiliae, visite nossa galeria no Flickr.

Wednesday, January 27, 2010

"Matto Grosso": filmes etnográficos da Universidade da Pensilvânia

O Internet Archive inclui em seu acervo vários filmes produzidos pelo Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, alguns dos quais -- The Bororo, Xingu e Warrior Dances -- retratam costumes de tribos indígenas de Mato Grosso (principalmente do Xingu). Produzidos no começo da década de 1940 e destinados ao público geral, os filmes têm talvez mais valor histórico (refletindo as idéias da época e do lugar em que foram produzidos) que etnográfico. Algumas cenas são obviamente ensaiadas e até a indumentária usada por alguns dos indígenas retratados parece suspeita (caso das tangas uniformes usadas pelos Boróro). Algumas informações são, simplesmente, errôneas (como a referência, no filme Xingu, a uma tribo "Tapuya" que habitaria a área de cerrado ao sul do Xingu). O valor informativo dos filmes deve, assim, ser considerado com ceticismo. No entanto, filtrados por uma boa dose de espírito crítico, os filmes podem revelar informações úteis. Em The Bororo há, por exemplo, um pequeno trecho em que um índio explica, em sua língua, como se faz flecha. Considerando-se a raridade de material fonográfico deste período, no que diz respeito a línguas indígenas brasileiras, este tipo de informação pode vir a ser bastante útil.

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