Tuesday, October 2, 2018

Salzano na luta

por Renato Nicolai*

O geneticista Francisco Salzano (1928-2018) faleceu na semana passada, deixando um grande legado científico construído ao longo de mais de meio século. Mas, além de sua conhecida obra acadêmica, vale lembrar aspectos menos conhecidos de sua atuação como pesquisador. O texto abaixo, moção apresentada ao II Encontros Intelectuais de São Paulo (1961), nos oferece uma visão do cientista além de seu mister, ou seja, em sua luta em defesa da terra indígena como bem maior da comunidade. Trata-se de uma moção para que se apresentasse à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um ofício manifestando a oposição dos cientistas presentes a um projeto-de-lei que tentava espoliar povos indígenas de suas terras (algo, infelizmente, ainda muito atual): 

Saturday, December 30, 2017

Os Fotógrafos do Tuxaua Mandu


Em 2015, quando eu estava trabalhando no acervo fotográfico da Província Franciscana de Santo Antônio, em Recife, com as imagens dos Tiriyó, eu encontrei um retrato do tuxaua Mandu entre as demais fotografias desse rico acervo. Desde então eu fiquei bastante intrigado. Como essa fotografia apareceu nesse acervo? Eu não tive dúvida nenhuma que aquele retrato que estava nas minhas mãos era realmente do tuxaua Mandu, pois já conhecia fotografia semelhante no acervo da Coleção Etnográfica Carlos Estevão de Oliveira do Museu do Estado de Pernambuco.

Tuxaua Mandu retratado por Koch-Grünberg, 1903 

Tuesday, October 17, 2017

Cacique Tataru: aventuras heroicas em Rondônia

por Hein van der Voort
A história é relativamente simples, mas Snethlage a usou para contar sobre suas próprias observações e experiências etnográficas durante sua estada nas florestas da bacia do rio Branco em Rondônia em 1934.



Além de trabalhos científicos e seu livro popular Atiko Y, Emil Heinrich Snethlage escreveu também uma história para jovens. O livrinho Häuptling Tataru: Aus dem Leben eines Wayoro-Indianers ‘Cacique Tataru: da vida de um índio Wayoró’ é a história de um jovem indígena Wayoró que, ao retornar de uma caçada na floresta, acompanhado de seu amigo Pito, descobre que um grupo de índios Tuparí, perigosos inimigos dos Wayoró, haviam ateado fogo em sua aldeia, matado os homens e levado embora as crianças e mulheres que sobreviveram ao ataque. Tataru e seu amigo organizam um ataque com os membros de uma outra aldeia Wayoró contra os algozes, para se vingarem e tomarem as mulheres e as crianças de volta. A história envolve também um amigo Makurap (relacionado aos Wayoró por casamento), um grupo de Arikapú aliado com os Tuparí e um traiçoeiro pajé “Jabutí” (Djeoromitxí). (Essa pequena descrição acaba aqui para não revelar o final da história, que é baseada em um relato verdadeiro.)