Thursday, January 19, 2017

Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira





Iniciado em agosto de 2016, a primeira fase do projeto voluntário de extensão “Ampliação da Biblioteca Digital Curt Nimuendajú” tem como objetivo transcrever os verbetes do volume I da Bibliografa Crítica da Etnologia Brasileira (Baldus, 1954) e disponibilizar os links para as obras, mapas e fotografias disponíveis na Biblioteca Digital Curt Nimuendajú e em acervos de outras bibliotecas online, com o cuidado de preservar os detalhes da grafia utilizada pelo autor e encontrada nos trechos citados. Dessa forma, o acesso de pesquisadores e interessados em estudos com indígenas à extraordinária produção de Herbert Baldus, bem como aos trabalhos que o etnólogo prestigia e reprova, será simplificado. A equipe do projeto é coordenada pela Profa. Aline da Cruz e conta com a participação de Amanda Vallada e Keila Mariana Silva, alunas de graduação da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás.
O primeiro volume da Bibliografa Crítica da Etnologia Brasileira representa um guia essencial para todos os que se interessam pelas pesquisas e trabalhos com indígenas do Brasil. A obra compreende 1785 verbetes que trazem comentários críticos de Baldus sobre 1785 estudos publicados que, de alguma forma, abordam aspectos das línguas e culturas dos povos brasileiros. A Comparative Study of Human Reproduction  (Ford, 1945), por exemplo, trata das práticas de reprodução humana por parte de povos em diversos lugares do mundo, e menciona os Apinajé, Makuxi, Taurepang e Tupinambá. Já Die  Lippenlaute der Bantu und die Negerlippen, mit besondererBerüksichtigung der Lippenverstümmelungen (Cleve, 1903) traz um estudo comparativo sobre a influência dos adornos labiais nos sons labiais em línguas africanas e indígenas, citando os povos Botocudo, Karajá e Suyá.
Por ter intensão crítica, Baldus elogia e recomenda as obras que aprova e condena as que rejeita. O autor tem em alta conta produções como Los  indios Cainguá del Alto Paraná (Misiones) (Ambrosetti, 1895), Tratados da terra e gente do Brasil (Cardim, 1925), The  Tukuna (Nimuendajú, 1952) e I BororosOrientali "Orarimugudoge" del Matto-Grosso (Brasile) (Colbacchini, 1925). Para referir-se a tais obras, Baldus faz uso de expressões como “fundamental”, “valioso” e “importantíssimo”. Desaprova, contudo, de Migrações e cultura indígena (Costa, 1939), Aspectos sociais dastribus indígenas do Brasil (Boudin, 1949), La civilizaciónguaraní (Bertoni, 1922) e Voyage  pittoresque et historique au Brésil (Debret, 1834). Conforme o etnólogo, trabalhos assim podem ser considerados “sem valor científico”, “pseudo-científicos” e “artiguetes”.

Texto: Amanda Vallada, graduanda Universidade Federal de Goiás, 
participante voluntária do projeto “Ampliação da Biblioteca Digital Curt Nimuendajú


Tuesday, October 4, 2016

Cauiré Imana — o cacique romanceado

por Peter Schröder

flickr:30037970081
Este ano reli um pequeno livro que tinha lido em 1991, depois de terminar uma pesquisa de campo para o doutorado na Terra Indígena (TI) Cana Brava, dos Guajajara, situada entre as cidades de Barra do Corda e Grajaú, no Maranhão. Trata-se de Cauiré Imana, o cacique rebelde, de Olímpio Martins da Cruz (Brasília: Thesaurus, 1982, 142p.). O livro tem a ver, indiretamente, com a pesquisa realizada — as formas de organização política contemporânea dos Guajajara em sua contextualização histórica — e por isso tinha despertado minha curiosidade. Segundo uma informação na página sobre o autor na Wikipédia, até foi lançada uma reedição em 2015, porém ela não pôde ser confirmada por consulta no website da editora até a data da publicação desta resenha.

Embora o livro seja qualificado de “romance” em algumas páginas na internet, a meu ver este rótulo não é pertinente, no que diz respeito à forma e ao conteúdo da obra. É antes um relato semi-ficcional com algumas pretensões de meticulosidade científica.

Friday, February 26, 2016

"A thing of beauty": urucú's place among the Eastern Timbira

urucum.jpgA recently-published article (Moreira et al. 2015) has suggested that urucú (or annatto; Bixa orellana), a plant whose seeds produce a widely-used coloring agent, was probably domesticated in South America. Rondônia (western Brazil), the likely birthplace of cassava, is once again a strong candidate to have given the world yet another important agricultural item. For the historical linguist, a fascinating piece of information — not mentioned in the article — strongly corroborates the antiquity of the plant in the region: a name for 'urucú' can apparently be reconstructed for Proto-Tupí (cf. Rodrigues 2010), which is supposed to have been spoken in Rondônia about 5 thousand years ago.