Wednesday, January 7, 2009

Obras do Pe. Francisco das Chagas Lima

O Padre Francisco das Chagas Lima (1757-1832), primeiro vigário de Aparecida e vigário de Curitiba, sua terra natal, desempenhou papel de destaque na vida eclesiástica da então capitania de São Paulo. Foi, porém, através de seu trabalho na catequização de dois povos indígenas que seu nome se tornou intimamente associado à história de duas povoações em cuja fundação desempenhara papel essencial: Queluz, na divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro, fundada em 1801 como aldeamento Purí, e Guarapuava (no que é, hoje, o estado do Paraná), criada em 1810 como aldeamento Kaingáng.

Como testemunha e protagonista dos primeiros anos da história de ambas as povoações, Chagas Lima produziu importantes documentos, alguns dos quais seriam publicados postumamente na RIHGB: a 'Noticia da fundação e principios d'esta Aldêa de S. João de Queluz' (Lima 1843), escrita originalmente em 1802, contém, além de detalhes históricos sobre a fundação da aldeia, informações sobre os costumes Purí antes da catequização; a 'Memoria sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava' (Lima 1842), concluída provavelmente entre 1827 e 1828, contém, além de uma descrição detalhada do progresso e das vicissitudes do aldeamento, o "primeiro registro publicado sobre a língua Kaingáng", segundo Wilmar D'Angelis (2003).

Especialista em Kaingáng, D'Angelis sugere que Chagas Lima teria sido, também, o provável autor do extenso 'Vocabulario da lingua Bugre', publicado anonimamente em 1852 no mesmo periódico (Anônimo 1852) e que seria, na sua avaliação, "o melhor documento para o conhecimento da língua Kaingang produzido no Brasil no século XIX." Os três artigos, recentemente incluídos na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju, podem ser acessados aqui.

Monday, December 29, 2008

Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões (Anchieta 1933)

Publicado pela Civilização Brasileira em 1933, o livro Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, do Pe. José de Anchieta (1534-1597), está disponível online, no site da Biblioteca Nacional de Portugal. Os diversos trabalhos reunidos constituem importantes fontes sobre costumes indígenas (especialmente de falantes do Tupí da Costa) e a atuação da Companhia de Jesus no primeiro século da colonização do Brasil.

Uma edição anterior de um dos textos incluídos neste volume, "Informação dos casamentos dos indios do Brasil" (publicada na RIHGB em 1846 por iniciativa do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen), foi recentemente incluída na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju. Lingüisticamente, o texto é especialmente interessante pela explicação que dá das relações de parentesco (e sua terminologia).

Monday, December 15, 2008

Über einige ältere Bildnisse südamerikanischer Indianer (Ehrenreich 1894)

por Mariana Françozo*

A Biblioteca Digital Curt Nimuendaju acaba de acrescentar a seu acervo mais um artigo do etnólogo alemão Paul Ehrenreich. Trata-se do texto "Über einige ältere Bildnisse südamerikanischer Indianer„, publicado originalmente na revista Globus em 1894. Neste singular artigo, Ehrenreich analisa os retratos de um homem tupi, uma mulher tupi, um homem tapuia e uma mulher tapuia executados pelo pintor holandês Albert Eckhout (c.1610-1666), que esteve por sete anos em Pernambuco (1637-1644) a serviço do Conde João Maurício de Nassau-Siegen (1604-1679), então governador do Brasil Holandês. Neste artigo, o etnólogo empreende um estudo dos quadros de Eckhout comparando-os com outras fontes visuais e textuais produzidas pelos artistas e cientistas de Nassau sobre os indígenas do Brasil. É digno de nota o esforço em identificar a exata etnia dos grupos retratados a partir da indumentária e da cultura material representadas nas telas. O artigo de Ehrenreich despertou o interesse dos estudiosos por estes quadros, até então estudados unicamente pelo famoso naturalista Alexander von Humboldt. A Revista do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, em seu número 65 (1905), publicou uma tradução deste artigo, feita por Manoel de Oliveira Lima. Os quadros de Eckhout encontram-se desde 1654 no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhaguen.

*Mariana Françozo é doutoranda em Ciências Sociais na Unicamp com a tese “De Olinda a Olanda: a circulação de pessoas, objetos e saberes no Brasil Holandês”; sua dissertação de mestrado (2004) tratou da influência da etnologia alemã na obra de Sérgio Buarque de Holanda.